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quarta-feira, 13 de abril de 2011

POLÍTICA x POLITICAGEM

Há muito tempo, no nosso cenário social deparamo-nos com situações em que é muito comum confundirmos Política com politicagem. No Brasil, e principalmente na Região Nordeste, estamos acostumados com o avesso da política ideal e tão sonhada por muitos, ou seja, com a politicagem realizada pela grande maioria, a malandragem, a demagogia, a falcatrua.
A Política tem como princípio básico o gerenciamento da coisa pública com lisura e o governo para todos com a gestão dos negócios públicos visando objetivos nobres para a conquista do bem comum dos cidadãos sem distinção de crenças, cores partidárias, etc.
Para sintetizar essa diferença entre política e politicagem, ninguém melhor do que o magistral Rui Barbosa: "Política e politicagem não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutuamente. A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas ou tradições respeitáveis. A politicagem é a indústria de o explorar a beneficio de interesses pessoais".
Exposta essa diferença crucial e também SOCIAL, já é possível identificarmos a causa da repulsa do povo brasileiro às questões políticas que tanto nos afetam. Qualquer cidadão de bem se sente impotente e desencorajado diante das enxurradas de denúncias e outros inúmeros artifícios demagógicos usados por homens públicos inescrupulosos. Estamos sempre a mercê de politiqueiros que invadem nossos lares através de ondas sonoras, lixos escritos, imagens televisivas, e mais... Ou seja, boa parte dos políticos acaba se valendo de alguns privilégios advindos da sua autoridade para obter vantagens para si ou para pequenos grupos, o que acaba por manchar a imagem da classe política como um todo.
No entanto, esse estigma que os políticos carregam é algumas vezes injusto e desestimula a ação política, pois existem pessoas na neste meio interessadas em construir uma sociedade melhor e que trabalham de verdade para isso, mas acabam sendo também incluídas na categoria da "farinha do mesmo saco", o que contribui para uma a fixação de uma imagem estereotipada e preconceituosa no imaginário nacional.

É óbvio que os homens públicos que compõe a classe política nacional não caem do céu diretamente nos seus gabinetes. Eles são eleitos por nós, uma vez que vivemos numa democracia eleitoral e são eles provenientes da sociedade, do povo. Se uma grande parcela desses políticos são desonestos e corruptos e não cumprem a função para a qual foram destinados, isso é porque nosso povo é igualmente corrupto e desonesto, já que nossos dirigentes são parte também da sociedade, a qual é simplesmente o espelho da nossa "elite política". O tão conhecido "jeitinho brasileiro" de burlar regras, quebrar convenções, sonegar impostos, furar filas, o famoso "QI" na hora de conseguir emprego, o nepotismo e o desprezo generalizado pela meritocracia estão na raiz de toda a bandalheira que vemos na política nacional. Isso me referindo apenas a fatores gerais de ordem cultural, sem entrar em maiores detalhes quanto às nossas práticas sociais, políticas e econômicas mais arraigadas que contribuem sobremaneira para a manutenção desse quadro lamentável...
Nós presenciamos um dos maiores absurdos da política dos últimos tempos, estados que se intitulam a sociedade do mais alto gabarito com é a população do Estado de São Paulo que deu uma esmagadora votação ao candidato Tiririca nas eleições passadas. Candidato este que sendo natural da cidade de Itapipoca - CE, deveria pelo menos ter iniciado sua "ascensão" política também em sua terra natal.
Uma maior mobilização de todas as camadas da sociedade somadas à vontade política e à conscientização da necessidade da substituição dos interesses mesquinhos pela ética e pela moral como norteadores da ação político-social podem nos indicar um caminho na busca da construção de uma sociedade mais eqüitativa. Política e

Politicagem diferente do que se pensa, nao andam juntas e nem sequer tem algum grau de parentesco. Devemos lutar por uma Política Social abrangente e operante em nosso país para que futuramente não venhamos a sentirmo-nos cerciados de nossos direitos mesmo nos sendo adquirido o direito de ESCOLHER.

TEXTO: Iolanda Maciel - MESTRE EM CIENCIA POLÍTICA pela UNIVERDIDADE ESTADUAL DO CEARÁ.